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Ondas
de pressão x Ondas de choque
Stosswellen x Druckwellen
Tradução do
artigo publicado pela Sociedade Suíça de Ondas de Choque
SGST, através do seu site
www.sgst.ch

Índice
INTRODUÇÃO
Porque é necessário diferenciar
entre ondas de pressão, produzidas balisticamente, e
ondas de choque.
CAPÍTULO 1
- Ondas de choque, ondas sonoras ou ondas de pressão ?
CAPÍTULO 2
- Ondas de choque
A.
Geração
B.
Propriedades
C.
Efeitos
D.
Focalização
E.
Localização
CAPÍTULO 3
- Ondas de pressão balísticas
F.
Geração
G.
Propriedades
H.
Efeitos
CAPÍTULO 4
- Ondas de choque vs. Ondas de pressão
I.
Diferenças físicas
J.
Na aplicação medicinal
K.
Diferenças de aplicação
CAPÍTULO 5
- Resumo

INTRODUÇÃO
Porque
é necessário diferenciar entre ondas de pressão,
geradas balisticamente, e ondas de choque.
Dr. O. Wess,
Kreuzlingen
Ultimamente, assim chamadas “ondas de choque
balísticas” são utilizadas para diversas indicações
ortopédico-traumatológicas, como cotovelo de tenista e
espora calcânea. A utilização do conceito “ondas de
choque” sugere aí um parentesco próximo em relação a ou
a identidade com a “Terapia por ondas de choque
extracorpóreas, ESWT”, usual na medicina.
Esta equiparação é errada do
ponto de vista da física e enganosa do ponto de vista da
medicina.
Para uma
melhor diferenciação, deveria se falar mais corretamente
de “Terapia por pulsos de pressão, não-focalizada”,
UDPT, (em inglês UPPT, unfocussed pressure pulse
therapy). Neste tratado, porém, utilizamos a expressão
mais popular “Ondas de pressão (balísticas)”.
Ambos os
processos diferenciam-se entre si, de forma substancial,
devido aos parâmetros de energia utilizados, o efeito da
energia sobre o corpo, a precisão de direcionamento, a
realização técnica e os custos.

CAPÍTULO - Ondas de choque,
ondas sonoras ou ondas de pressão?
No âmbito da aplicação medicinal
entende-se, sob o conceito genérico de
ondas de pressão, ondas
sonoras que se propagam no corpo à velocidade do som.
Para partes moles, a velocidade de propagação é parecida
com a na água, 1500 m/seg. Em tecido ósseo e em tecido
que contém gás (pulmão) estes valores variam
significativamente para cima, respectivamente para
baixo. As gamas de freqüências das ondas vão do
infra-som (<20 Hz),
passando pela gama audível
(20 – 20000 Hz) até a gama do
ultra-som usado na medicina (>20 kHz, tipicamente
1-20 MHz).
Fala-se
de ondas de choque, no
sentido da física, em ondas de pressão de alta amplitude
(típico > 10 MPa = 100 bar), não–linear e que no meio de
propagação gera um pico acentuado da onda, resultando em
tempos de elevação muito curtos, de poucos nanosegundos
(10-9 seg).
Ondas de
choque utilizadas na medicina ainda são caracterizadas
por se tratar de pulsos de pressão curtos (< 1
microsegundo (10-6 seg)) com amplitudes de
pressão de cerca de 10-100 MPa. Esta forma de pulso
abrange freqüências de vários 100 Khz até
aproximadamente 20 MHz. Ultra-som diagnóstico possui, ao
contrário, uma largura da banda de freqüências muito
menor, de poucos MHz, e pressões significativamente mais
baixas, de aproximadamente1 Mpa.

Stosswelle = Onda de Choque
Druckwelle = Onda de Pressão
Ultraschall = Ultra-som
Vorläufer = predecessor
Langer Druckpuls = pulso de pressão
longo
Zeit = tempo

CAPÍTULO 2 – ONDAS DE CHOQUE
A. Geração de ondas de choque
Para a geração de ondas de
choque atualmente são empregados três processos
diferentes. Historicamente, as primeiras ondas de choque
usadas medicinalmente para a desintegração de pedras
foram geradas pelo princípio
eletro-hidráulico.
Baseando-se na técnica de
ultra-som, também são empregados
métodos piezoelétricos.
Outro
sistema baseia-se no princípio
eletro-magnético (alto-falante), no qual uma
membrana cilíndrica é repelida por forças
eletromagnéticas.
A onda
cilíndrica resultante é concentrada por meio de um
refletor parabólico sobre a área de terapia.
Ao
contrário das ondas de pressão balísticas, ondas de
choque podem ser geradas dentro de um meio semelhante ao
tecido (água) e introduzidas no corpo sem perdas
significativas através de uma membrana de acoplamento.
Devido ao curto comprimento de pulso podem ser
empregadas as leis da ótica acústica, isto é, os pulsos
são conduzidos na forma de ondas, eles são refletidos,
refratados e difundidos, e – muito importante – eles
podem ser focalizados.
Devido
aos altos gradientes de pressão eles libertam
consideráveis forças em superfícies de separação,
através do que, por exemplo, pedras dos rins podem ser
desintegradas sem contato.
Além
disto, eles produzem cavitação,
um mecanismo que contribui decisivamente para o efeito
da onda de choque no tecido.
B. Propriedades de ondas de choque
As propriedades das ondas de choque
são mais uma vez resumidas na tabela a seguir:
| |
Propriedades de ondas de choque
-
Ondas
de choque penetram no corpo,
-
São lá
conduzidas,
-
São
refletidas, refratadas e difundidas,
Æ
Ótica
acústica
-
Libertam forças em superfícies de
separação,
-
Produzem cavitação
-
Não há abalo
síncrono dos orgãos
-
|
|
|
C. Efeitos
das ondas de choque
As distintas propriedades da
onda de choque também tem por conseqüência distintos
efeitos medicinais relevantes no tecido, diretos e
indiretos. Eles são resumidos nas duas tabelas a seguir:
| |
Efeitos diretos das ondas de choque
-
Ondas
de choque desintegram pedras,
-
quebram trabéculas de ossos,
-
destroem micro-vasos,
-
podem
produzir hematomas,
-
estimulam nervos,
-
atuam
superficialmente e na profundidade
|
|
|
| |
Efeitos indiretos das ondas de choque
-
Ondas
de choque reduzem dores,
-
Promovem irrigação sangüínea e
metabolismo,
-
Estimulam o crescimento de ossos,
-
Iniciam a dissolução de depósitos
calcários,
-
Curam
necroses da cabeça femoral
-
|
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D. Focalização
Porque é importante a focalização ?
Como em toda parte na medicina,
também para a aplicação de energia acústica (ondas de
pressão e de choque) em doses terapêuticas vale o
princípio de Paracelsus:
| |
Princípio
de Paracelsus
Século 16
Todas as
coisas são veneno, e nada é sem veneno.
Somente a
quantidade faz com que uma coisa não
seja veneno.
O que vale
é a dosagem!
|
|
|
Em outras palavras: Também o melhor remédio sempre tem
um efeito colateral.
Também
ondas de pressão e de choque tem – em uma dosagem
demasiada alta – efeitos colaterais.
Assim,
hemorragias petequiais são freqüentemente observadas,
ocasionalmente também hematomas, extrasístoles e outros
efeitos colaterais.
Também
aqui é importante, aumentar o efeito no local desejado e
minimizá-lo em todo o resto. Portanto, deve-se cuidar
que a dosagem seja dirigidamente alta na zona de terapia
e baixa em todas as outras zonas.
Desde
que não se deseja tratar somente locais de terapia
superficiais, a focalização da energia é o método a
escolher. Somente assim pode-se alcançar que zonas
próximas à superfície (local de penetração na pele) e a
vizinhança do objetivo terapêutico sofram pouco, com
simultânea concentração da energia sobre a zona
essencial de terapia.
| |
Objetivo
-
Aumentar efeito das ondas de choque
-
Reduzir efeito colateral
Æ
Focalização |
|
|
E.
Localização
Devido à
concentração da energia das ondas de choque, é possível
dirigir o efeito a zonas de terapia bastante restritas.
Com o
auxílio de um equipamento de
localização (ultra-som e/ou raios-X) as regiões
alvo podem ser localizadas de forma optimizada e
ajustadas também em zonas de tecido mais profundas.
Uma
combinação de um aplicador de ondas de choque com um
dispositivo de localização por ultra-som “in line” é
apresentada esquematicamente na figura a seguir.

In Line Ultraschall = Ultra-som em
linha
Gezielte Anwendung = Aplicação
dirigida

CAPÍTULO 3
– ONDAS DE PRESSÃO BALÍSTICA
F. Geração
de ondas de pressão
Em comparação com as acima
mencionadas ondas de choque, ondas de pressão possuem
propriedades significativamente diferentes. Ondas de
pressão geradas balisticamente originam-se segundo o
princípio do martelete
pneumático, através da frenagem abrupta de um
êmbolo acelerado pneumaticamente.
O impacto do êmbolo é
transmitido ao corpo por meio de uma peça de metal, que
por sua vez é pressionada sobre a pele e sobre o local a
ser tratado.
O êmbolo movimentado tem por
ocasião do impacto uma velocidade de aproximadamente
2-20 m/seg. Com isto, esta velocidade é menor
aproximadamente pelo fator 100 do que a velocidade do
som no tecido (cerca de 1500 m/seg).
Já em uma onda de choque no
sentido da física (formação de um pico acentuado),
seria de esperar que o êmbolo impactaria com uma
velocidade superior a do som. Porém estamos distantes
desta situação em cerca de duas ordens de grandeza.
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Ondas de pressão balísticas
-
Ondas
de pressão balísticas (sistema
martelete pneumático)
-
Velocidade de impacto do êmbolo V
êmbolo aprox. 2-20 m/seg
-
Velocidade do som no tecido C
som aprox. 1500m/seg
V
êmbolo << C
som |
|
|
G.
Propriedades das ondas de pressão
No local de impacto na superfície
da pele é introduzida uma alteração de pressão no tecido
subjacente. O pulso de pressão propaga-se no tecido à
velocidade do som. Ele possui, porém, parâmetros
significativamente diferentes do que o pulso de ondas de
choque, tratadas anteriormente. Assim, as pressões
alcançáveis estão na faixa de 0,1-1 Mpa, (semelhante ao
ultra-som diagnóstico), e a duração do pulso corresponde
à de um golpe mecânico de 1-5 milisegundos. O pulso de
pressão, assim, é mais longo aproximadamente pelo fator
1000 do que um pulso de onda de choque, com uma duração
de < 1 microssegundo.
Em função do comprimento do
pulso, nenhuma focalização pode ocorrer no âmbito de
todo o corpo. A energia acústica introduzida reduz-se
rapidamente com profundidade crescente do tecido (r),
proporcional a 1/r². Após poucos milímetros a densidade
de energia caiu para valores, que são terapeuticamente
ineficazes.
Como ambos os pulsos se propagam
no corpo aproximadamente com a mesma velocidade de 1500
m/seg, resulta também na extensão espacial dos pulsos
(comprimento do pulso) uma diferença pelo fator 1000,
isto é, < 1 mm para ondas de choque em comparação com >
1 m para ondas de pressão geradas balisticamente.
Se já nas ondas de choque as
influências não lineares do meio nem sempre são
fortemente pronunciadas, isto é, nem sempre se pode, a
rigor, falar de ondas de choque, isto vale tanto mais
para ondas de pressão geradas balisticamente.
O
conceito “ondas de choque”, portanto, aqui é errado do
ponto de vista da física e enganoso do ponto de vista da
medicina, pois apesar do mesmo conceito geral (ondas de
pressão) trata-se de formas de ondas muito diferentes.
| |
Propriedades de ondas de pressão
balísticas
-
Ondas
de pressão balísticas atuam
como golpes curtos sobre o corpo,
-
Não
permitem (via de regra) serem
focalizadas,
-
Perdem
seu efeito na profundidade ~ 1/r²,
-
Abalam
órgãos de forma síncrona
|
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H. Ondas de pressão –
Efeitos
Ondas de
pressão, produzidas de modo balístico, são geradas com o
auxílio de um simples
percussor mecânico, na superfície da pele.
Através
da deflexão do percussor por uma fração de um milímetro,
a pele e o tecido subjacente são
deformados e a
alteração de pressão introduzida no corpo.
A maior
pressão é exercida no local
de penetração da pele.
Em
função do comprimento do pulso, não pode ocorrer
nenhuma focalização
no âmbito de todo o corpo. A energia acústica
introduzida diminui rapidamente com crescente
profundidade de tecido (r), na proporção de 1/r². Após
poucos milímetros a densidade de energia reduz-se a
valores que são ineficazes terapeuticamente.
Devido ao longo comprimento de
pulso (> 1m), todas as zonas de tecido são verberadas
quase simultaneamente (de forma síncrona), diferente de
pulsos curtos, nos quais uma alteração passa em forma de
ondas através do tecido e estimula as diversas zonas de
tecido seqüencialmente sob a ação de elevados gradientes
de pressão.
As propriedades características das
ondas de pressão permitem possíveis efeitos medicinais
apenas na superfície, como são apresentados na tabela a
seguir.
| |
Ação de ondas de pressão balísiticas
-
Ondas
de pressão balísticas atuam
superficialmente
-
Estimulam saturação sanguínea
-
Reduzem dores superficiais
-
Atuam
sobre nervos próximos a superfície
-
Podem
produzir hematomas superficiais
|
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CAPÍTULO 4
– ONDAS DE CHOQUE x ONDAS DE PRESSÃO
I.
Diferenças físicas
As diferentes propriedades físicas
têm conseqüências bastante consideráveis para a
aplicação:
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Ondas de Choque vs. Ondas de
Pressão
Diferenças Físicas |
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Ondas de Choque |
Ondas de Pressão
(Balísticas) |
|
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J.
Aplicação medicinal
Ondas de pressão balísticas
Ondas de pressão balísticas são,
como descrito acima, geradas na superfície da pele com o
auxílio de um simples percussor mecânico: Através da
deflexão do percussor por uma fração de um milímetro, a
pele e o tecido subjacente são deformados e a alteração
de pressão introduzida no corpo.
A maior
pressão sobre o tecido é exercida no local de penetração
da pele.
Em função do comprimento de
pulso, não pode ocorrer nenhuma focalização no âmbito de
todo o corpo. A energia acústica introduzida diminui
rapidamente com crescente profundidade de tecido (r),
proporcional a 1/r².
Após poucos milímetros a densidade de energia reduz-se a
valores, que são ineficazes terapeuticamente.

Ballistische Druckwelle = Onda de
Pressão Balística
Hohe Haubelastung = Alta Pressão na
Pele
Geringe Tiefenwirkung = Pouca
Efetividade na Profundidade
Energieabfall in der Tiefe =
Redução de Energia na Profundidade
Behandlungszone = Área de Interesse
Ondas de choque
Todos os aparelhos atuais, que
utilizam ondas de choque no sentido definido acima,
possuem dispositivos de focalização. São utilizados
lentes e diversos tipos de refletores. Como exemplo,
está representada uma fonte eletromagnética cilíndrica
com refletor parabolóide.
Esta forma de focalização porém,
devido aos motivos acima mencionados, somente é possível
com os pulsos curtos das ondas de choque, não com os
pulsos longos das ondas de pressão balísticas.
Com esta
focalização, por isso, é possível
um efeito máximo dirigido, na
profundidade do tecido, no local desejado.
As zonas de tecido adjacentes
são poupadas na medida do possível.

Stosswelle = Onda de Choque
Geringe Hautbelastung = Pressão
Mínima na Pele
Energiekonzentration in der
Behandlungszone = concentração de energia na Área de
Interesse
K.
Diferenças de aplicação
As diferenças de aplicação,
resultantes das diferentes propriedades de ondas de
pressão balísticas e de ondas de choque, são mais uma
vez resumidas na tabela abaixo:
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Ondas de Choque vs. Ondas de
Pressão
Diferenças de aplicação |
| |
Foco |
Localização |
Efeito
superfície |
Efeito
profundidade |
|
Onda de choque |
sim |
sim |
sim |
sim |
|
Onda de pressão |
não |
não |
sim |
não |
|
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CAPÍTULO 5 -
RESUMO
Apesar
de certo parentesco, sob o ponto de vista da física,
entre ondas de pressão balísticas e ondas de choque,
ambas as ondas ou formas de pulso apresentam diferenças
significativas.
Destas
diferenças resultam diferentes formas de ação e campos
de aplicação.
Enquanto
para a conhecida terapia por ondas de choque (ESWT) já
existem centenas de relatórios relativos a experiências
e numerosos estudos, isto só vale em âmbito muito
restrito para UDPT.
É, portanto, errado tratar estes
dois processos de forma não-diferenciada sob o conceito
terapia por ondas de choque. São duas coisas por
princípio demasiado diferentes.
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